Bem-vindo ao Percy Jackson - Olympus RPG!

O falso brilho da lua

 :: Diversos

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

O falso brilho da lua

Mensagem por Ayara Yumi em Qui Ago 04, 2011 7:52 pm



Todas as histórias costumam ter começo, meio e fim... Talvez a história dessa garota tenha um início... Talvez tenha um fim... Mas tudo que se sabe dela é o início do meio, quando uma menina de oito anos fugia desesperada de alguma coisa grande, com dentes afiados e rosto deformado, mancando com uma perna metálica.




Estava quente... Muito quente naquele lugar... Havia alguns bichos e cheirava muito mal, mas ali – entre todos aqueles restos e imundices humanas – eu estava segura. Segura de uma forma que eu jamais estaria em outro lugar... Deveria ser meio dia, pois o sol estava acertando em cheio minha cabeça e aquilo deixava meu corpo cansado ainda mais arrebentado.

Os arranhões espalhavam-se pelo meu corpo entre cortes e hematomas, lembro-me da dor que eu senti, eu desejei morrer por horas. Eu queria sentir a dor passar, mas ela só piorava a cada segundo em que eu fermentava com o lixo. As vezes eu acompanhava com os olhos a correria de uns ratos passando de um lado para outro, lembrei que um dia eu já havia sentido medo daquele bicho peludo com dentes pontudos, naquela hora, contudo, eles pareceram boa companhia... Ao menos estavam vivos e não comiam nada além do lixo ao redor.

Meu pai estava morto... Tentei organizar aquela frase na minha cabeça, tentei organizar aquela imagem e não soluçar alto, eles viriam atrás de mim se eu não ficasse quieta... Eles matavam... É difícil para uma garota de 10 anos entender que uma coisa vermelha manchando a sua roupa é o sangue do seu pai e mais doloroso ainda é saber que com ela iria acontecer o mesmo cedo ou tarde.

Já haviam passados horas, meu corpo já fazia parte do lixo quando a escuridão da noite espalhou-se. Eu não sentia mais tanta dor e nem sentia tanto medo, eu precisava sair daquele lugar o quanto antes. Cambaleei alguns metros, não sei quantos ao certo, mas lembro de ter corrido o máximo que pude, caindo pela calçada e levantando e arrastando-me e rastejando o mais rápido que minhas pernas de 70cm conseguiam.

Atrás de mim algo com cara de gente e pernas cabeludas e casco... Algo estranho assim tentava me convencer a parar. Ele corria o dobro do que eu pensava em correr, enquanto ele trotava pela rua eu esfolava meu corpo e me reerguia tirando uma energia que não existia mais do meu corpo, mas ele cansou de me seguir e correu mais rápido, chegando na minha frente antes mesmo de eu conseguir levantar-me de uma derrapada.

- Eu sou amigo. – Aquele negócio falou comigo.

- Vá embora! Não irei com você! – Medo... O medo falou algo por mim.

- Sou Toriuns, um Fauno. Não vou te machucar, eu sei o que aconteceu com você, venho te ajudar.

Eu não queria morrer, eu sabia que havia implorado tant0 por isso, mas naquela hora em que eu enxergava morte pálida e rodeada de sangue eu estava desistindo... Eu estava com medo e eu queria sobreviver de qualquer jeito.

- Eu quero viver! Viver! Viver!!! – Gritei tão forte que não sobrou voz para qualquer outra frase, vi o luar engrandecer-se e algo estranho aconteceu. O fauno parecia ter sido afetado com a luz da lua, como se ela tivesse refletido intensamente sobre os olhos dele.

Não parei para pensar, não parei para nada... Corri com todo o fôlego dos meus pulmões, por caminhos estranhos cada hora da noite... Por ruas desertas, por rodovias movimentadas... Corri até sair da cidade e me esconder em um rancho distante.





Esse foi o primeiro capítulo da história de Ayara Yumi, em breve postarei mais, se gostarem.





Legenda


Ação
Pensamentos
Falas do personagem
Falas de outros personagens
avatar
Ayara Yumi

Mensagens : 19
Pontos : 24
Data de inscrição : 01/08/2011

Ficha "Meio-Sangue"
Vida :
100/100  (100/100)
Energia:
100/100  (100/100)
Arsenal :

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O falso brilho da lua

Mensagem por Ayara Yumi em Sex Ago 05, 2011 9:19 am






- Ela está acordando! Ei, pai! Ela está acordando!
Eu abri meus olhos devagar, as pálpebras mal suportavam o esforço e minhas pupilas não se adaptavam à luz bruxuleante do lugar. Eu não sabia como, mas estava em um lugar semelhante a um quarto e a voz que parecia chamar o pai alegremente se aproximava de mim, seguida de passos ecoando em uma escada de madeira.
Uma mão gelada e grande tomou meu rosto, a silhueta que eu distinguia, do dono dessa mão, lembrava-me meu avô. Contudo, não era o meu velho e sorridente vovô quem anunciava o fim da minha febre com algumas palavras entusiasmadas, era um senhor que eu nunca vira antes e que saíra chamando uma tal Celly para preparar a canja.
Tentei me movimentar, tentar ao menos sentar e compreender as coisas, mas eu ainda estava cansada então fiquei ali onde eu estava admirando o teto e perguntando-me como ele havia parado sobre minha cabeça.
- Oi, eu sou o Erick! – Uma cabeça surgiu entre meus olhos e o teto. Era um garoto, um pouco mais velho que eu. Imediatamente reconheci: era a voz que chamava o pai.
- Como eu vim parar aqui? – Perguntei pigarreando e tentando encontrar o tom da minha voz.
- Achamos você desmaiada perto do celeiro. O que aconteceu com você? Alguém te bateu? O papai disse que podemos ficar com você, se você quiser, claro! A delegada Wash quer te mandar para o orfanato, mas não deixamos te levarem.
Ele me deu tantas informações de uma vez só que eu nem conseguia raciocinar. Questionei-me se deveria ficar ali ou fugir. Mas não cheguei a conclusão alguma, apenas olhei para o lado.
Havia uma imensa janela próxima a cama, através dela eu podia ver o brilho sereno da lua envaidecer a noite, soltei um longo suspiro e tentei - com mais sucesso dessa vez – sentar-me. Lembro-me de ter parado um momento para investigar os olhos escuros do menino que me olhava atentamente. Ele era loiro em pouco maior do que eu, o menino sorria muito... Eu não sabia por que ele sorria tanto, mas parecia tão feliz que me acalmou de alguma forma. Fiz um esforço e abri a janela.
O vento frio da noite invadiu meus pulmões. Finalmente eu estava bem... Sem dor, sem medo... Eu estava bem em algum lugar estranho... Mas havia uma coisa no meu peito que lembrava o rosto cansado do meu pai ao chegar em casa e mesmo sem nenhum fôlego, convidando-me para brincar... Eu lembrava as coisas boas, mas em algum lugar no fundo da minha mente havia um corpo pálido sobre um vermelho morto.
- Como é seu nome? – Erick quebrou o silêncio outra vez, nessa hora já ouvia-se passos na escada de madeira.
- Yumi... Ayara Yumi. – Respondi mecanicamente olhando a lua.
- Vejo que já estão se entendendo! – Uma voz feminina seguida de um risinho interrompeu meus pensamentos.
Na minha direção caminhava uma senhora de meia idade, mãos calejadas e um rosto mal tratado pelo tempo, loira e com os mesmos olhos curiosos de Erick. Provavelmente mãe dele... Ela trazia um prato com canja que cheirava divinamente bem.
- Você precisa comer, Querida.
- Ayara, mãe! O nome dela é Ayara Yumi. – Erick tratou logo de informá-la.
- Pois bem, Ayara, coma tudo. Você precisa de energia, está muito fraquinha. Amanhã o doutor Thompson virá vê-la.
Eu comi, estava faminta. Logo o patriarca subiu ao quarto também e toda a família Diggers – conforme me apresentaram depois – estava ao meu redor: Srª Celly Diggers, Srº John Diggers e o caçula Erick Diggers. Além deles, havia Isabelle Diggers que morava na cidade e cursava a faculdade.
Eles conversaram comigo durante algumas horas, mas em nenhum momento perguntaram como eu havia parado naquele lugar, ou como eu havia ficado tão debilitada a ponto de desmaiar naquele celeiro... Apenas perguntaram sobre o que eu gostava de fazer e se eu gostaria de ficar com eles por um tempo até tudo acalmar-se... Eu não pensei muito naquela noite, estava feliz por estar viva, apesar de tudo, e aceitei ficar ali... Era tão longe de qualquer coisa que eu conhecia talvez longe o suficiente para os monstros não aparecerem.





Após algumas horas de conversa, os Diggers deixaram Ayara descansar e puseram Erick na cama, mas a noite deles não terminou nesse momento...
- O que faremos com ela? – Celly perguntou em aflição.
- O que poderíamos? Devemos mantê-la viva... – John respondeu impaciente.
- Você sabe quem ela é John... Nós sabemos. Ela é como você! Vão ficar horas mexendo com porcos para disfarçar quem são? Você entende o risco de termos outra pessoa assim nesta casa? Ao menos pode me ouvir? Estamos em perigo com ela aqui!
- Ela é só uma criança!
- O Erick é só uma criança!
- Talvez... Talvez haja alguma forma... O acampamento...
- você enlouqueceu John? Vai acreditar em um acampamento que, segundo você, uma árvore te disse?
- Era uma ninfa...
- Você não tem o direito de arriscar as nossas vidas!

...
...
...

John ficou parado na sala, observando suas botas desgastadas, preocupado em confiar em uma ninfa, preocupado em não confiar nela.
Quando pequeno John havia fugido, vez após vez... Sua mãe havia lhe dito, enquanto fugia com ele, John já tinha 12 anos.
–Por que eles vêm atrás de nós?
- Você é especial, John... Quando precisar de proteção peça ajuda ao sol, sim?
- Por quê?
- Você é filho do Deus sol, de Apollo... Acredite em mim querido! Você é grande... Um semideus!
John levantou-se e não resistiu, foi dar uma espiadinha na garota...
- Sim John... Acredite, ela é uma Semideusa.





Esse foi o segundo capítulo da história de Ayara Yumi, em breve postarei mais, se gostarem.





Legenda


Ação
Pensamentos
Falas do personagem
Falas de outros personagens
avatar
Ayara Yumi

Mensagens : 19
Pontos : 24
Data de inscrição : 01/08/2011

Ficha "Meio-Sangue"
Vida :
100/100  (100/100)
Energia:
100/100  (100/100)
Arsenal :

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O falso brilho da lua

Mensagem por Alexia Sinclair em Sex Ago 05, 2011 10:47 am

Owwww *_____*
Fiquei me perguntando onde ela ia parar no primeiro capítulo t.t
Mas parece que vai dar tudo certo. E só pra deixar claro, odilho essa mulherzinha chata u.u


avatar
Alexia Sinclair

Mensagens : 141
Pontos : 163
Data de inscrição : 25/04/2011
Idade : 25

Ficha "Meio-Sangue"
Vida :
200/200  (200/200)
Energia:
200/200  (200/200)
Arsenal :

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O falso brilho da lua

Mensagem por Ayara Yumi em Seg Ago 08, 2011 10:12 am



Não era o trabalho mais agradável de toda a minha vida, mas era interessante o quanto era prazeroso estar onde eu estava há quase dois anos.

Oficialmente uma Diggers... Sim, eu havia sido adotada pela família que havia me encontrado desmaiada próxima a um celeiro e isso era bom, bom em milhares de aspectos, pois eu tinha um lar e já podia sentir meu coração batendo harmonicamente outra vez. Eu trabalhava com os porcos... Tentava, inutilmente, limpá-los todos os dias – Embora a verdade seja que eles me deixavam imunda todos os dias. Vez ou outra eu adentrava a floresta e admirava a beleza dos animais, mas não fazia isso com muita frequência... A sensação de que alguém estava me espionando consumia cada músculo meu e então eu voltava aos porcos e demorava tempos a voltar para a floresta.

Durante a noite eu ficava acordada até tarde da madrugada, admirando a lua e suas fases, desde seu início até o ápice da lua cheia, tão redonda e brilhante e depois do seu ápice até a degradação: a noite sem luar. Às vezes, Erick acordava pela madrugada e curioso ao ver a luz acesa ia perguntar o que eu fazia. Ficávamos horas conversando até ele acabar dormindo de qualquer jeito no sofá enquanto eu contava alguma coisa sobre o meu passado.

Eu às vezes o levava de volta para a cama, cambaleando com o menino maior e depois cobrindo-o e finalmente indo deitar-me, outras vezes eu o deixava na minha cama e ia dormir na cama dele. Celly enlouquecia ao nos ver com a cama trocada, resmungava se ainda não sabíamos a qual quarto pertencíamos e ia cuidar a casa esbravejando algo como: “essas crianças!”

Durante a semana Erick ia para a escola, mas eu não ia... Eu tinha dislexia, DA (Déficit de atenção) e mais alguma coisa lá... Eu estudava em escola especial quando morava com meu pai... O sr. Yumi presava a dedicação e a superação de limites e não concordava que meus problemas fossem motivos para eu não ir à escola ou tirar notas muito ruins. Mas os Diggers não tinham como me colocar numa escola apropriada, e eu não ia nem um pouco bem na escola comum. Na primeira semana que tentaram me colocar na escola eu não fui bem e notei, ainda, uma preocupação descomunal – principalmente de Celly – Quando eu e Erick saíamos, talvez... Bem, eu imaginei que talvez pudesse ter sido por medo, a final... Eles ainda não sabiam o motivo de eu ter aparecido tão ferida e desacorda na propriedade deles. Mas eu assistia filmes antigos, John tinha vários deles! John mesmo me ensinava coisas e me pedia redações dos filmes que já estavam quase decorados em minha mente, além de me deixar ouvindo CDs educativos e filminhos escolares.

Sabádos e domingos eram dias de praticar exercícios, John nos ensinava alguns esportes bem legais, algo incomum, pode-se dizer, pois ao invés do bom e velho baseball de pais e filhos íamos praticar arborismo, le parkour e paint ball. As vezes brincávamos de guerrilha. John era muito habilidoso em fazer espantalhos horrorosos e que perdiam a cabeça só de tocar neles, um desastre... Mas ele fazia tantos deles! Uma vez no mês tínhamos que derrotar centenas de espantalhos, John e Celly. Celly costumava ser a primeira a cansar, sempre revirava os olhos e se jogava no chão brincando que precisava de um pai do olimpo também.

Ríamos muito, mas o próximo a cansar geralmente era Erick, mas por ele ser da minha equipe isso me preocupava. Eu não gosto de perder, eu não perco. Trabalhávamos em conjunto e ele ficava espionando para mim no início, sem se movimentar tanto. Não era fácil, ele resmungava que queria brincar e eu resmungava que queria vencer e muitos resmungos depois acabávamos chegando ao acordo de que ele “mataria” John. Mas ele sempre morria e então eu atirava a bolinha de tinta em John, distraído com a pseudo vitória.

John sempre reclamava do fato de eu deixar o Erick fazer algo que eu sabia que iria mata-lo só para vencer e no final eu sempre ficava pagando flexão no castigo de 30minutos depois do anoitecer, mas eu não ligava.





Era um dia de dezembro, estava muito frio e implorávamos para John nos dar folga da guerrilha, mas ele não nos deu ouvidos. A neve caía tão bonita e a lua cheia tão espetacular que tirava o folêgo... Faltava ainda 30minutos para começar o jogo e Erick e eu estávamos organizando nossa estratégia no forte.

- Estou com frio, não quero brincar. – Erick reclamou.

Olhei para ele em silêncio enquanto limpava nossas armas e as carregava de tinta. Não falei nada e meio frustrado ele olhou para a lua e para mim outra vez.

- Por que você nunca reclama?

Fiz minha melhor cara de quem não estava entendendo nada e continuei em silêncio.

- Sabe... Não é preciso limpar os porcos todos os dias, eles nem ficam limpos! Você podia ir para a escola, é sempre melhor do que eu em tudo e sempre faz comigo as atividades, o que tem de mal? Temos que fazer uma brincadeira boba que fazemos todo o final de semana num dia que está tão frio que parece que estamos presos num freezer gigante! Mas você não reclama, ele te coloca de castigo quando você vence! Você passa 30 minutos inteirinhos fazendo abdominais, mas nenhuma só palavra de reclamação.

- Por que eu iria reclamar?

- Você está no seu direito... Quer dizer, por que você tem que passar por essas coisas todas?

- Eles são superiores a mim, Erick. Não adianta eu reclamar, vou ter que fazer de qualquer jeito, só vou perder tempo resmungando. Além do mais, eles sabem o que fazem, são seus pais e os pais sabem o que fazem e são o mais precioso de tudo que você vai ter na vida. Você nunca vai ter nada como eles, então, você tem que imaginar que pode perdê-los todos os dias, para sempre aproveitar o máximo deles.

- Você sente falta da sua família, não é?

Erick adotou uma expressão compreensiva e encostou a palma da mão nas minhas bochechas sorrindo com calma para mim, era tranquilizador, quase tanto quanto a luz da lua ou o silêncio da escuridão da noite. Eu sorri tímida em retribuição e lhe dei um abraço. Erick retribuiu o gesto gentilmente e me beijou a face.

- Você nos tem agora, está tudo bem porque sempre estaremos juntos.

Ficamos algum tempo ali, abraçados, era pleno, tão doce... Erick tinha toda a gentileza e a impulsividade do seu pai e igualmente pareciam radiantes sob a luz do sol, o que os fazia extremamente interessante, para a loucura de Celly. John era bonito e vez ou outra recebia ligações saudosas de velhas amigas que faziam Celly arrebitar o nariz e sair descontente para o quarto. Da mesma forma vez ou outra apareciam garotas atrás do Erick... Bem, por algum motivo, estranho, elas iam procurar o Erick na floresta e acabavam se perdendo. Infelizmente alguém as achava em prantos na floresta.

- Devemos traçar um plano de ação. – Comentei de repente voltando a ter noção do tempo. Ainda faltavam 15 minutos para o início, mas John era terrivelmente pontual.

- Vamos perder hoje, por favor, eu até faço tudo que você quiser na hora, mas não vamos pensar nisso agora.

Eu pensei por um momento... Mas meus pensamentos foram atrapalhados por um grito estridente e repleto de horror.

- Ainda é cedo para o jogo. – Exclamei um pouco assustada, mas com a expressão serena.

- É a minha mãe! John não começa nada com gritos. – Erick falou e segundo depois corria em direção aos berros que foram acompanhados imediatamente de um som gutural, nada natural.

Fiquei pronta para qualquer coisa, talvez... Os montros, talvez... Tivessem me achado, e antes de mim achado Celly.






Legenda


Ação
Pensamentos
Falas do personagem
Falas de outros personagens
avatar
Ayara Yumi

Mensagens : 19
Pontos : 24
Data de inscrição : 01/08/2011

Ficha "Meio-Sangue"
Vida :
100/100  (100/100)
Energia:
100/100  (100/100)
Arsenal :

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O falso brilho da lua

Mensagem por Ayara Yumi em Qua Ago 10, 2011 9:34 am



Os gritos eram do mais puro terror, misturavam-se a agonia de Erick e a alguns solavancos que eu não conseguia identificar como aconteciam. Erick já estava na porta da sala quando eu ouvi o teto rachando e o puxei para mim, derrubando-nos no chão centímetros antes do local onde parte do teto estraçalhou-se no chão.

- Mãe! – Erick gritou descontrolado.

- Celly? – Chamei-a... Mas a resposta foi uma luz intensa e John saindo dos escombros segurando uma mulher inconsciente.

Erick estava louco, correu para cima dos pais em prantos. Tanto John quanto eu olhávamos ao redor em busca do que havia feito aquilo, embora Erick parecesse ignorar o perigo, ele existia e pouco nos adiantaria ficar suscetível a ele.

- O que houve? – Perguntei um tanto fria. Sabia o que me esperava... Eu sabia que era minha culpa.

A neve gelada caía sobre o corpo inconsciente de Celly, os cabelos de John estavam grudados no rosto, havia alguns arranhões e as veias dele estavam levemente alteradas: sinal de luta. John ficou em silêncio olhando ao redor, parecia cansado – Eu nunca o vi cansado antes - Ele cambaleou um pouco, estava carregando o peso de Celly e o de Erick descabelando-se ao redor da mãe.

- Quem os atacou John? – Insisti.

- O teto estava frágil... – Mentiu ele.

- Não pode nos proteger desse jeito John. Foi um monstro, huh?

- Ayara... Precisamos sair daqui.

- Então sairemos. – Respondi friamente, tentando calcular formas de sair dali. O que quer que tenha atacado John havia morrido, mas o semblante do pai de Erick denotava um terror claro que só podia significar que seríamos atacados outra vez. - Vamos para o forte da zona sul.

- Por quê? – John e Erick fizeram um coro.

- Tem armas lá, John... Você deveria saber, são suas.

- Como você sabe? – Ele deu um salto moderado para trás consertando a postura e Erick apenas nos olhou confuso.

- Apenas sei, como sei não nos importa, vamos.

Andamos dois quilômetros até o forte da zona sul, era o mais afastado da rodovia, dali apenas para a floresta densa. Ninguém havia questionado o que eu tinha dito e John carregava Celly e Erick fazendo um esforço desnecessário. Não disse uma única palavra para que Erick se afastasse a final, John era quem deveria fazê-lo. Olhei uma ou duas vezes feio para o garoto que nem notou que estava atrapalhando.

Ao chegarmos ao forte mais afastado John deitou Celly no chão da cabana escondida pelas árvores. Procurei o armário onde eu a havia visto... Uma adaga de bronze e uma espada forjada em um metal estranhamente brilhante. Erick olhou por uma pequena janela e depoi voltou os olhos furiosamente para mim e me segurou pelo braço.
- O que está acontecendo? – Ele gritou.

Ao que parecia ele estava furioso comigo, não tinha o mínimo sentido que ele estivesse furioso comigo... Todavia, eu senti o aperto dos dedos dele no meu braço. John mandou ele sentar-se, mas ele pressionou mais forte e refez a pergunta.

- Não seja imbecil, sei tanto quanto você. – Respondi ríspida.

Eu poderia ter desviado, ou me defendido... Mas ao invés disso apenas fechei os olhos e sentir o ardor pulsante do tapa que recebi no rosto. Se minutos antes ele abraçava-me tranquilizando-me de nada, naquele minuto ele descontava toda a raiva, a frustração e o medo no meu rosto. Senti o sangue pulsar na minha bochecha e prendi qualquer lágrima que quisesse fugir dos meus canais lacrimais.

- A mãe me disse! Disse que você era um perigo... Eu não acreditei! Ela disse que se um dia passássemos muito perigo a culpa seria sua. Você trouxe essas coisas até nós!

-Eu sei que trouxe. Cansou de chorar que nem bebê? – Continuei frígida.

Erick levantou a mão e eu fechei os olhos pronta para sentir outra vez o ardor de um tapa no rosto, mas senti apenas dois braços trêmulos envolverem meu corpo. Algumas lágrimas quentes escorreram pelo meu pescoço e um sussurro ingênuo ecoou pelos meus ouvidos. – “Estou com medo.” – Dizia-me o sussurro.

- Eu sinto muito. – Sussurrei de volta, deixando uma lágrima salgada escorrer pelas minhas bochechas e pingar no ombro do rapaz.

- Eu não queria ter dito...

- Sim, você queria. – Interrompi Erick em sua segunda frase e o afastei. Olhei para John que enrolava Celly em um cobertor grosso e segui falando objetivamente. – Chame-a.

- O que? – John olhou para Celly e para mim depois.

- Você sabe do que estou falando. A mulher que fica na floresta... A que tem pele esverdeada... Cabelos cacheados e flores por todos os lados. John, vocês costumam conversar aqui em algumas madrugadas de lua cheia. Eu sei.

Sim, eu sabia. John encontrava-se com ela. A primeira vez que eu havia visto isso foi quatro meses antes do desastre. Eu estava andando pela floresta no luar quando vi uma silhueta masculina apressada indo na direção do forte – sul. Segui a sombra escondida no escuro e vi... Achei que era um monstro e apenas encolhi meu corpo vendo o melhor possível, mas afastada o suficiente para manter segurança. Reconheci a silhueta como John, e percebi que a mulher esverdeada o tratava com um zelo profundo.

Naquela noite eles haviam conversado sobre um acampamento e sobre a segurança do local. John insistia que Erick devia poder ir para o acampamento, mas a mulher dizia não ser possível. John esbravejava e repetia a condição para ir ao tal lugar, mas no fim a resposta da mulher era a mesma e John saía irritado da cabana.

- Não posso chama-la. – Respondeu-me John. – Não sei como encontra-la.

- E o acampamento? É seguro? Por que não entramos nele?

- Celly e Erick não podem entrar nele.

- Por quê? – Questionei.

Erick olhava para mim e para John e perdia-se sem entender nada. Eu olhava hora ou outra pela janela para ter certeza que estávamos seguros.

- Eles não são como nós, Yumi. Esses monstros não estão atrás de você, apenas, somos nós... Somos especiais. Filhos de deuses.

- Não fique falando abobrinhas! – Resmunguei.

Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, no entanto, ouvi um grunhido e algo começou a atacar a cabana.






Legenda


Ação
Pensamentos
Falas do personagem
Falas de outros personagens
avatar
Ayara Yumi

Mensagens : 19
Pontos : 24
Data de inscrição : 01/08/2011

Ficha "Meio-Sangue"
Vida :
100/100  (100/100)
Energia:
100/100  (100/100)
Arsenal :

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O falso brilho da lua

Mensagem por Dylan T. Marshall em Qua Ago 10, 2011 10:15 am

Ta bem legal, continua...^^


The Reaper, Capitão dos Necromantes de Érebus

Filho de Selene, Filho da Lua

Dylan T. Marshall

Mensagens : 33
Pontos : 28
Data de inscrição : 29/07/2011
Idade : 21
Localização : Logo ali...

Ficha "Meio-Sangue"
Vida :
120/120  (120/120)
Energia:
120/120  (120/120)
Arsenal :

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O falso brilho da lua

Mensagem por Ayara Yumi em Qua Ago 10, 2011 2:52 pm



Senti meu coração acelerar, meu corpo estava pronto para fugir ou lutar. Segurei a adaga e dei a espada para John. Senti Erick se encolher, mas ele usou cada gota de coragem que tinha no corpo e seguiu ao meu lado. Eu sorri, não foi uma risada forçada... Não foi por causa da tensão. Mas se eu fosse morrer... Se seria daquela forma, para mim, estaria tudo bem. Mas ao ver os olhos amendoados de Erick afogarem-se em lágrimas, com medo e sem saber o que estava acontecendo, toda a conformidade da morte esvaziou-se do meu peito. Eu não permitiria que tirassem a vida dele... Não permitiria de forma alguma.

John segurou Celly como se segurasse o próprio peito nas costas. Ela estava atrapalhando, provável aquilo matasse a ele e a todos nós... Tínhamos que nos livrar dela, mas jamais me ouviriam se eu dissesse qualquer coisa nesse sentido. Bem, Erick e Celly estariam seguros longe de John e eu, então...

- Erick, leve sua mãe daqui. – Gritei.

- Levá-la? Para onde?

- Apenas corra, corra o máximo que puder! Você deve ficar bem, segundo John... Eles estão atrás de nós.

- Não posso deixa-los. – Erick reclamou.

- Não menos dessa vez não me faça ficar de castigo por ter te matado em uma guerrilha.

Eu sorri, Erick retribuiu com um sorriso terrivelmente sem graça e eu gargalhei. Ele não entendeu nada, John muito menos. As tábuas da cabana foram jogadas longe e algo com uma perna de metal e uma cara feia apareceu com presas afiadas e garras sujas.

- Líderes de torcida? – Erick exclamou meio perdido.

Olhei para cara dele com reprovação. Não era por que aqueles monstros estavam com sainhas de líderes de torcida que se tornariam uma. Puxei Celly De John, ele resistiu, tentei puxá-la novamente, mas o corpo dela estava muito rígido e um tanto frio.

- Salve-nos! – Gritei irritada, dava para ver que Celly não estava bem, estava muito pálida e tinha um hematoma enorme no pescoço, mas John Teimou e por fim – a muito custo - ele cedeu.

Ouvi Erick correndo, os passos pesados quebravam os galhos no chão e a neve afundando acabava sendo audível. John estava iluminado, parecia que havia acabado de banhar-se em tinta florescente. Pelo buraco feito na cabana, três monstros invadiram o espaço... Olhos em vermelho vivo, e o desejo do nosso sangue derramado.
Peguei o cobertor que outrora estava enrolado em Celly e joguei em cima de uma das monstruosas criaturas. John atacou outra e a terceira partiu para cima do homem brilhante. Pulei sobre a criatura que ia para cima de John e cravei minha adaga na clavícula dela e rodei o objeto para causar mais dor e invalidar um dos membros superiores. O bicho urrou de dor e me lançou contra os escombros da cabana.

Tremi de dor, olhei para o lado e senti os pulmões expelirem o ar que a tanto custo eu inspirava, a poucos milímetros alguns pregos exibiam suas pontas enferrujadas presos em uma tábua quebrada da cabana.

A coisa que eu havia tapado com o cobertor, já havia se livrado do objeto. Minha adaga estava presa na clavícula do animal que havia me jogado nos escombros e John continuava lutando com a terceira criatura. Estranhamente, quando ele passava a espada no corpo dela, além de gemer de dor, o animal parecia queimar e John iluminava-se. Era difícil até perceber onde começava e terminava o homem e onde era apenas luz.

Outra daquelas veio na minha direção e tentou cortar-me com aquelas unhas imundas. Peguei a tábua de madeira que estava ao meu lado e tentei me defender. A tabua foi cortada com mais facilidade que uma folha de papel manteiga e eu ainda fui arranhada no rosto. Joguei o pedaço de madeira com pregos com força no abdômen do animal e ouvi um urro. A luz de John estava me deixando louca, eu não conseguia ver nada, então corri pela cabana, buscando o máximo de espaço possível e corri em direção ao bicho que tentava inutilmente tirar a adaga da clavícula. Puxei a arma assim que cheguei perto o suficiente e corri para longe da luz de John, perto da escuridão da noite e do luar que a banhava.

Senti que eu mesma brilhava, meu corpo estava renovado e eu senti o cheiro ardido do monstro chegando mais perto. Joguei a adaga contra o animal, no meio do abdômen, era ruim de desviar e eu sempre era ágil com esse tipo de coisa. Acertei-a em cheio. Mas não foi o suficiente para o monstro cair.
Eu não sabia o que estava acontecendo com John na cabana, apenas muita luz... De onde vinha tanta luz? Parecia que um pedaço do sol havia caído naquela cabana... Eram 8h da noite. Corri na direção do monstro e lhe acertei um jeb de direita, chutando a adaga para afundar na barriga dele. Mas no desespero da dor dele ele me jogou longe. Bati em uma árvore e o lugar onde o bicho havia me pegado havia três cortes fundos, feitos pelas garras imundas.

- Droga, isso vai infeccionar... – Resmunguei perdendo a consciência.

Não deixei meus olhos se fecharem... Arrastei-me até o brilho da lua, era loucura... Mas... Bem, de alguma forma aquilo me fazia bem. Senti meu corpo mais forte nos primeiros feixes da luz do luar e finalmente respirei, mas eu estava lenta demais. O monstro já vinha na minha direção quando John apareceu iluminado e deu-lhe um golpe nas costas transformando-o em pó. Eu sorri aliviada e John pareceu um pouco mais tranquilo.

Entretanto não se deve sorrir se não tiver um motivo muito bom para tanto... Parecia que tudo havia terminado, mas um dos monstros com perna de cobre ainda estava vivo –eu não sabia – Mas descobri assim que vi suas garras atravessando o tronco de John, no que seria a boca do ser, algo parecido com um sorriso brotou. Meu coração dilacerou-se instantaneamente. Minha mente fazia um feedback, entre o corpo inerte do Sr. Yumi e o corpo em queda livre de John Diggers.

Um ódio tão intenso povoou meu coração que percebi que nunca mais ele sairia dali. A luz de John estava apagada e seus olhos abertos como dois buracos negros na imensidão. Corri com uma energia que não sabia que meu corpo tinha. Peguei a adaga de John, ela estava queimando as palmas da minha mão, mas não importava... De forma alguma importaria.

Mais uma morte... Mais um adeus que eu sabia que nunca seria capaz de dar. Por que aquela dor toda não passava? Eu estava presa na vida e obrigada e continuar vivendo... Eu não era livre, onde estava a minha liberdade? Eu não podia escolher estar perto das pessoas que eu amava.

Não lembro como... Apenas vi os pedaços do monstro caindo no chão a cada golpe banhado em lágrimas, sangue e ódio. Apenas vi aquela coisa horrorosa virando pó, voltando ao inferno que pertencia se ela pertencesse a algum lugar... Apenas a matei, mas não bastava. Eu queria mata-la de novo, mais uma vez e outra, e outra, e outra... Eu queria ver o pó em que ela e transformava outra vez. Queria que fosse doloroso, porque eu sabia que a morte era uma calmaria plena que ela não merecia.
Enterrei a espada no chão e me ajoelhei ao lado de John. Se sacudir o corpo dele o trouxesse a vida... Se implorar e chorar servisse de algo... Se eu pudesse fazer alguma coisa... Se eu não fosse tão impotente, certamente eu não precisava ter visto o rosto de Erick mergulhado em lágrimas e sangue.

Senti-me como uma arma, algo danoso: uma erva daninha. Algo a ser aniquilado. Mas a paz da morte era muito nobre para mim, eu estava suja, suja de tanto sangue que não havia mais como voltar atrás.

Erick chamava o pai e o sacudia como eu havia feito tantas vezes antes. Olhei para a floresta densa, peguei a adaga de bronze que estava jogada no chão e me movi na direção da floresta. Eu vi a silhueta feminina que vinha aos prantos na direção da gente. Imaginei que fosse Celly, mas ao perceber o tom esverdeado da moça sob a luz do luar... Não era Celly, onde ela estaria?

A mulher se jogou sobre o corpo de John reclamando de tê-lo avisado sobre algo. Eu ia aproveitar a distração e fugir, mas Erick notou que eu ia embora.

- Não me deixa sozinho. – Ele implorou.

- Tudo isso é minha culpa. – Solucei.

- Isso não é verdade. – Ele insistiu. – Não vá embora, você fez o que pode... Eu vi. – Ele choramingou.

- Você ainda tem a Celly. – Respondi.

Os olhos dele encheram-se de lágrimas, só nesse momento eu notei... Celly não estava fraca, não estava mal... Desde os escombros... Desde muito antes, ela já estava morta.





Esse foi o quinto capítulo, continuarei postando se gostarem.





Legenda


Ação
Pensamentos
Falas do personagem
Falas de outros personagens
avatar
Ayara Yumi

Mensagens : 19
Pontos : 24
Data de inscrição : 01/08/2011

Ficha "Meio-Sangue"
Vida :
100/100  (100/100)
Energia:
100/100  (100/100)
Arsenal :

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O falso brilho da lua

Mensagem por Ayara Yumi em Sex Ago 12, 2011 9:03 am



A mulher esverdeada pranteava ao lado de John, Erick soluçava desolado e completamente perdido enquanto abraçava inutilmente os joelhos em uma posição fetal. Eu apenas observava o que estava acontecendo.

- Quem é você? – Perguntei à mulher, sendo um tanto ríspida.

Os grandes olhos lilases dela voltaram-se para mim, mas diferentemente do que eu imaginava, ela franziu as sobrancelhas piedosamente e não ligou para minha forma de falar, apenas respondeu com uma doçura imensurável.

- Sou Ify, uma ninfa.

- Como? – Eu não conseguia assimilar tantas histórias ao mesmo tempo. - Deuses, monstros, ninfas... Por que eu acredito em você?

- Você sabe que é verdade. – Ela choramingou.

- Temos que enterrá-los. – Resmunguei olhando para os lados. – Mas temos que ser rápidos.

A ninfa olhou perdida para o corpo de John e concordou com a cabeça. Instantaneamente ervas e raízes enrolaram-se no corpo de John e a terra foi se afofando de forma que o corpo de John afundava no chão. O mesmo aconteceu com o corpo de Celly que foi pego pela ninfa e posto ao lado de John. Os corpos foram enterrados daquela forma incomum e banhado a lágrimas. Com a adaga eu escrevi na areia: “Amados, corajosos e fiéis”.

- Temos que ir. – murmurou a ninfa após um tempo de silêncio.

- Ir para onde? – questionei.

- Você precisa ir ao acampamento. – Ela respondeu prontamente.

- Não vou a lugar algum sem o Erick, por que ele não pode entrar?

- Ele não é um semideus – A ninfa respondeu. – Ele ficará melhor sem você.

Meu coração se repartiu em milhares de pedaços. “Ele ficará melhor sem você.” Aquela frase ecoou várias vezes pela minha cabeça e causou-me náuseas. Olhei para os meus pés com um súbito interesse... Olhei-os como se olhá-los pudesse me fazer escapar daquela dura realidade: qualquer um estaria melhor sem mim...

- Isso não é verdade! – Resmungou Erick. – Ela é a única pessoa que me resta, vamos ficar juntos! E você, seja lá o que for, deveria ir embora!

A ninfa suspirou e deu de ombros. Depois de um tempo ela nos olhou e sorriu dizendo que tudo bem, ela entendia o que estava acontecendo e pediu, por favor, que ao menos tentássemos passar Erick para o acampamento. Tentar já era alguma coisa, mas a possibilidade de falhar me irritava bastante, então peguei a espada do túmulo de John e a entreguei para Erick.

- Não podemos falhar. – Murmurei.





Ayara Yumi. Eu nunca ouvira falar daquele nome, tampouco me importaria se tivesse ouvido algum dia a ponto de lembrar naquele momento. Ela era uma garota calma, aparentemente serena, Tinha olhos avermelhados e intensos, olhos tão calorosos que contrastavam com toda a frieza que emanava daquele corpo pálido de 13 anos.

Eu, em meus 38 anos de experiência, não poderia se quer imaginar todas as coisas que aquela garota havia passado. Dos meus amores incertos, das minhas promessas não cumpridas, da minha missão de proteger a natureza... Nada dos acontecimentos da minha vida havia sido marcado com tanta dor. Era visível que para aquela garota nada era fácil.

Lembro-me do dia em que senti a presença de outro semideus naquela fazenda, o filho de John havia encontrado uma menina suja esfarrapada desmaiada no celeiro. Eu observei tudo de longe, mas pude perceber – pelo cuidado deles ao tocá-la – que a criança estava muito ferida. Ayara parecia uma tela crepuscular, manchas lilases e negras por todo o corpo e riscos em vermelho vivo, toda sorte de machucados em um corpo magrelo e alvo. A semideusa parecia uma boneca antiga, arrebentada e largada de lado... Os cabelos tão longos e embuchados varriam o chão enquanto John a carregava preocupado.

Celly cuidou dela devotamente por duas noites seguidas. A humana choramingava ao ver o estado delicado da criança, mas nunca perdia uma oportunidade de pedir que John a tirasse dali. Celly sempre fora uma mulher forte, mas temia pela sua família mais que tudo. Todavia, John nunca vacilara, ele precisava sentir a alegria de salvar uma criança tão sofrida quanto ele.

O amor de John pela sorte daquela criança o levou até mim depois de logos anos decidido a se afastar de tudo que não fosse “natural”. Ele gritou meu nome vez após outra até cansar, recuperou o fôlego e recomeçou a prece, pediu ao pai Apollo que o ajudasse... Pediu a deusa Héstia que o ajudasse a manter sua família. Implorou tanto, tantas vezes, que fiquei inclinada a ajuda-lo.

Cuidei da criança nos momentos em que Celly dormia, salvei-a, mas avisei cada segundo a John que a mandasse para o acampamento, mas ele nunca confiou nesse lugar que trancava um monte de semideus para isolá-los do “natural”.

Ayara se desenvolveu bem ao longo do pouco mais que ds anos em que esteve na fazenda, sempre dedicada e obediente, mas naquela noite... Ela não parecia a mesma criança que perambulava nas noites pela floresta escura, nem mesmo a menina que se sujava lavando porcos. Parecia uma mulher, e não teve opções... Virou mulher por necessidade, não por vontade.






Legenda


Ação
Pensamentos
Falas do personagem
Falas de outros personagens
avatar
Ayara Yumi

Mensagens : 19
Pontos : 24
Data de inscrição : 01/08/2011

Ficha "Meio-Sangue"
Vida :
100/100  (100/100)
Energia:
100/100  (100/100)
Arsenal :

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O falso brilho da lua

Mensagem por Convidad em Sex Ago 12, 2011 9:43 am

Ayara, gostei muito de sua fic. Você escreve de um jeito ótimo.

Parabéns.

Convidad
Convidado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O falso brilho da lua

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


 :: Diversos

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum